insignificante
Sunday, June 03, 2012
 

Dois, três dias na terra, o ambiente descontraído e convivial, as amizades e o tempo para estas são novamente dilacerados com os imperativos do trabalho, da actividade para produzir sociedade.
Mas também da política.
Estou empenhado em três níveis de acção politica, qualquer deles com um mero sentido cívico e também, desde logo tenho que o confessar, sempre foi esse o meu desiderato, vontade de discussão de ideias, propostas para romper o status quo, e criação de empatias que resultem em mais valias sociais, e prazer.
Tenho ao longo da vida cruzado e descruzado, sempre sem mossa,  projectos e gente nesses, e conservo, quase sempre amizades e tempos desses.
Estou, como tenho contado em várias tertúlias novamente desenquadrado e em busca de sentido.

Desde logo sobre a Europa que é um grande desiderato. 
Vejo pouco pensamento sobre a Europa. Hoje artigo (no Público) de Paulo Trigo, no seguimento de conversa entendida que tivemos na 5ª feira tem alguma reflexão, ou como têm sido os cada vez mais convergentes  no pensamento, artigos ( no DN) sobre esta de Viriato Soromenho Marques ou, embora com uns resíduos de pré-história, a evolução do Rui Tavares. 
Outros amigos com os quais também comparto ideias e projectos tem dado contributos em tertúlias e digital para a única solução, que do meu ponto de vista pode superar este momento na economia e sociedade.
Mais Europa, uma Europa Federal, com controle democrático e instituições capazes de gestão financeira e estabelecer horizontes para a economia.
A Europa continua a faltar e temo os riscos são crescentes.
Esta classe politica que domina o velho continente é incapaz de lhe dar rumo ou esperança.
No que toca a realidade nacional os horizontes são de médio prazo, mas nada do que temos merece a mínima credibilidade. Sejam os partidos existentes, sejam os arremedos de novas situações, falhas de perspectiva ( e desde logo de Europa!) e dominados por lógicas populistas e de chicana, sem conteúdo nem lógica formal de formulação de pensamento.
Por aqui, por ali e acolá vai-se desenvolvendo do nível local à estruturação deste algumas sementes. Se essas se pudessem articular...
E essa é uma área que me levou às últimas intervenções, seja em termos de envolvimento prático (com os CPL) seja de gestação teórica (a ideia de articulação de princípios e formulação de programas para as próximas autárquicas, que desde logo serão uma grande surpresa, seja por o novo cenário e quadro eleitoral e reformulação dos sistemas de gestão, seja por dois terços, mais ou menos, dos presidentes... não se poder recandidatar).
É uma área em que penso, cada vez mais, que o espaço politico para intervenção e produção de pensamento, também global, se apresenta fértil.
Depois de novas conversas, embora me remeta, em qualquer dos casos a simples papel de carregador de pianos ( só toco de ouvido, como a minha avó!), gostava de construir orquestra.
Talvez porque a do Titanic agora só se for recordação, invenção e novas partituras.

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Foi uma primeira leitura de Todorov, mas passarei a ficar atento a este referente do pensamente.
Um livro leve e reflectido, onde são fáceis os acordos e os desacordos (sobre o véu islamico, por exemplo estou com Vargas Llosa), onde a mais valia é a desmontagem do pensamento económico dito neo-liberal como contrário ao liberalismo e a denúncia do emergir do pensamento xenofobo e populista.
Sou dos que acha que esse (e os radicais gragos nesse são eméritos) pode conduzir a EUROPA a uma nova catástrofe.
Sou também defensor de uma ecologia que se debruce sobre as condições da existência psíquica e à sua vulnerabilidade e dos ecosistemas sociais, uma ecologia que reflicta sobre a cultura e a sociedade (o contrário do animalismo e de outros avatares que tenho permanentemente denunciado).
Continuo a pensar na empatia do Jeremy Rifkin que também encontro aqui, e que descubro cada vez mais novo elemento político e civilizacional de ruptura.
Interessante a reflexão sobre o 4ª poder que hoje é outro verdadeiro poder (e a sem vergonha que são as estórias de espiões e energúmemos que nos assola hoje ainda nos deve levar a aprofundar estas situações "murdochianas", mas que no fundo são as últimas defesas de um sistema em estertor, ou não!)
Tzvetan Todorov entra para o meu arquivo, onde também estão alguns que mudaram de pensamento com o tempo, e nesses a minha simpatia para com "os novos filósofos" mas também o distanciamento na linha do que nos conta este livro, do reflexo, do espelho invertido que arrastam.
As raízes do mal perduram, no pensamento, mesmo que o tempo as seque...continuam lá no fundo.

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Friday, June 01, 2012
 
muito interessante:
http://www.terraeco.net/Dennis-Meadows-Nous-n-avons-pas,44114.html

tenho desde há muito combatido a tonta ideia do crescimento oposta à
austeridade, em artigos e crónicas e conferências.
Infelizmente vivemos submersos, de facto, pelo pensamento que não pensa.
Sustentabilidade e produtividade devem ser as duas chaves, com mais
cidadadania e política para acção.
Voltarei a este tema, por aqui.
 
Thursday, May 31, 2012
 
Duas situações escandalosas:

1- A Estradas de Portugal, que obriga os cidadãos a perderem o seu tempo, horas, a irem aos correios, pagarem portagens de 1 euro e tal, das suas scuts.
Sou favorável ao portejamento das autoestradas (mas Senhor porque as fizeram se estão vazias?). Mas julgo ilegal, e os CTT (onde preenchi o tal livro inútili!) cumplices da ilegalidade, que não haja um portajeiro, físico, nestas autoestradas e que desta forma a aquisição do serviço seja fraudulenta (nos CTT, sem qualquer razão, ainda por cima, pagamos mais uma taxa!).
E mais como só passados 48 horas (inacreditável num tempo de informatização e meios digitais) é que chega o papelucho aos correios (deve vir de correio lento!) temos que nos deslocar 2 vezes.
Para a produtividade nacional ... estamos falados.

2- Outro escândalo tem que ver com o sistema bancário em geral e com o BPI em particular.
Para concederem um empréstimo pessoal, mixuruca, obrigam, atenção OBRIGAM ( e chantageam!!!), o consumidor a... comprar um relogio ou uns cacos num valor avultado.
Não sei quem é que anda a mamar, mas só o facto de não termos autoridades de fiscalização destes vigaristas é que permite que estas situações fiquem impunes.
Estamos entregues à bicharrada!

NOTA
Nos CTT diligentemente forneceram-me um serviço para obter os dados para o pagamento. O serviço de telecomunicações... é de valor acrescentado. O esbulho continua.
E procurei o contacto do Banco de Portugal para comunicar a situação acima, sobre a aldrabice do sistema financeiro.
Tive que com a queixa, depois de meia hora de tentativas de responder a questões idiotas para "certificação", e desistir (deve ser para ver se eu penso!) enviar para os serviços gerais:

Ex.mos srs

Não deixarei de comentar no meu blog o kafkiano processo de acesso aos mails específicos do BP (julgo que niniguém deve ter chegado ao envio, mas é a vontade de trabalhar e fiscalizar os direitos dos cidadãos que por aí impera, e a genica para essa)
Mas só para desabafo, sabendo a inutilidade total do BP em fiscalizar a mais mínima infracção ao quadro legal de funcionamento do sistema bancário, por experiência, também própria,
CC

e

Gostaria de solicitar esclarecimento ou investigação sobre os procedimentos do BPI para outorga de um infimo crédito pessoal (a pessoa do meu conhecimento).
Para esse ser concedido obrigam (sobre coacção!) à compra de um pechibeque (uns cacos ou um relógio) ou nada.
 
Wednesday, May 30, 2012
 
Três dias a gastar as estradas de Portugal e ver o buraco onde enfiaram o nosso dinheirinho (Cavaco Silva) e outros tantos, e em Cinfães, na antiga casa, ou melhor no local onde esteve a casa de Serpa Pinto, no Hotel Porto Antigo.
Finalmente um contacto  pessoal com a Radio Montemuro, a administradora, os jornalistas e animadores. Sobre isso falarei com menos cansaço.
Ainda a assistência, gratificante, à distribuição de prémios pela Associação de Defesa do Vale do Bestança (http://www.bestanca.com/ ) aos jovens da enérgica escola EB2/3 de Cinfães, sobre isso também desenvolverei futuramente. Será tema da minha crónica da próxima semana.
Hoje é para registar os factos, só.
E aconcelhar, do verdadeiro SOS Racisme:
www.weareallgreekjews.eu
É que é preciso ter coluna vertebral para saber, e fazer.
E estar!

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Sunday, May 27, 2012
 



Hoje estive na FICOR e apreciei o desenvolvimento de design e inovação que este magnífico produto vegetal pode ter, e os seus múltiplos usos, além do empenho que as entidades/empresas que trabalham com a cortiça manifestam.
Julgo que ainda há espaço para mais inovação e hoje com novas tecnologias penso até que novos paradigmas podem passar por o seu aproveitamento, nas mais variadas formas.



Antes estive em mais um capítulo da Confraria do Toiro Bravo, e tive ocasião de falar para a rádio local.
A importância do património natural e da cultura deste, neste, agro-pastorícia e o seu resultado, a alimentação mas também a empatia, o convívio que em torno desta se gera, e a festa/ritualização de tempos e momentos que se perdura em formas e lógicas populares (encerros, forcão, chegas, à corda etc) ou erudita (a corrida a pé ou a cavalo, nas suas várias formas).
Explicar o passado, cultivar a memória no presente, e estruturar linhas de futuro e convivialidade, mantendo os tempos, a ruralidade, a tauromaquia, é também um desafio para as organizações ecologistas e ambientais ( em que me incluo) contra animalismos fundamentalistas e incultura.
Já o discurso, que julgo foi por mim iniciado em Portugal da articulação da produção do gado bravo, com o desenvolvimento e o equilíbrio rural ( e a cortiça aqui ao pé), a manutenção de espaços de largos espaços onde as águias podem caçar roedores (lindo o voo da águia com um coelho nas garras que vi à saída de Coruche!) e a terra pode continuar viva com o trabalho e a sua rentabilização pelo homem ( e o toiro só se justifica pela sua cultura e “fiesta”).


Hoje já consagrada em vários municípios como património imaterial municipal as festas, os cultos taurinos tem, no quadro da Confraria do Toiro Bravo outro momento sócio-cultural que deve ser aprofundado, seja na recuperação e levantamento aprofundado do receituário e das suas ligações os espaço e tempo onde se situa, seja na difusão, através do movimento confrádico, mas também como referi através de uma acção nas escolas e lugares educativos dos valores da fraternidade, da história também deste espaço que somos na Europa (que é devedora dos seus mitos fundadores...).
Na luta contra o dogmatismo doutrinário e o pensamento único deveriam as confrarias ter um papel de liderança na defesa dos valores, cultos, produtos desses, tradições sócio-gastronómicas , e os momentos festivos no seu entorno.
Apesar, ou com orações de sapiência. Devidamente estruturadas.

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Aqui, na Pensão do Amor.
E, lost in the eyes of Sarah, podia ser o inicio de um romance, breve, ou de uma novela sem fim.
Cada gesto, cada passo que damos constrói o infinito, um toque, uma envolvência. O fado.
Naquele momento tudo parou, in the eyes of Sarah, podia ser outra linha para início, e o fim.
Há muitos muito tempo nos confins da Mancha, tempo que não posso localizar...ou...
in the eyes, in the deep and profound moment my eyes entered in yours, é outra linha que desvanece o olhar e lhe esgota o tempo que nesse passou.
Cada momento é o momento.
Teremos sempre a Campanhã ou o olhar de Sarah, para inspirar a vida dos sonhos.

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“As the pen rises from the page between words, so the walker’s feet rise and fall between paces, and as the deer continues to run as it bounds from the earth, and the dolphin continues to swim even as it leaps again and again from the sea, so writing and wayfaring are continuous activities, a running stitch, a persistence of the same seam or stream.”
The Old Ways: A Journey on Foot. By Robert Macfarlane.


Picado do #The Economist#, também para memória futura, aqui fica este signo grafado, escrito em digital, num tempo em que o papel já não se enche, ou raras vezes, com tinta.
Embora no dia a dia me acompanhe de esferográfica (as vi chegar nos anos 6o, na altura ainda se recarregavam) é com saudade que recordo o tinteiro da escola onde molhávamos o bico de pato...
Também recordo quando fiz o exame da 4ª classe ter tido como prenda um relógio (hoje nem uso, por alergia...) e uma tinta permanente!!
Hoje, em casa, são as que uso, raramente, mas ainda cá está o tinteiro e o mata borrão.
A caminhar, também a caminar hasta echarles en el mar, as letras, as palavras o signo grafado a significar-se, talvez insignificante.

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Saturday, May 26, 2012
 

Um vibrante livro de Esther Mucznik, onde, julgo que pela 1ª vez com este detalhe e ao mesmo tempo empenho e claridade se conta, se reunem estórias dispersas do nosso Holocausto, de como somos responsáveis e participámos na História destes tempos negros, que infelizmente me parecem que podem voltar a assombrar-nos.
Recordar o passado e não temer o futuro quer dizer conhecer e agir, e pensar sobre esses tempos.

Este livro, além de sempre ir re-descobrindo histórias de amigos e pessoas que passaram pelo meu tempo deixa um quadro muito importante de reflexão, que partilho no âmbito da acção da Amnistia Internacional (onde não deixo de vozear algumas preocupações e levantar algumas incongruências que são o que mantem viva a organização, ou seja o debate e a evolução).
Refiro a questão que é pela Esther levantada a propósito de Aristides de Sousa Mendes, que nos deve convocar a reflexão, sobre a humanidade e o pensamento dessa, para além de enquadramentos doutrinários que se transformam em dogmas e inacção.
Gostaria de ter oportunidade de debater esta questão, que é fronteira no pensamento demo-liberal e trave em relação aos direitos, humanos desde logo.

O livro é, e já tive ocasião de felicitar a autora, um documento importantissimo, que como outros que tenho referenciado do meu amigo Jorge Martins (Galinheiras), deveria ser adoptado por todas as escolas do nosso país e estudado, em diversas áreas disciplinares e desde logo em formação cívica.
Registo com o maior agrado (já aqui referi que só compro livros em linguagem que saiba ler) que a autora escreve o livro de acordo com as normas do português.

A língua, e também registo a permanência do português, seja em registo esparso, seja em ladino (e curioso fiquei com a Sinagoga Sefardi, em Praga) nos portugueses, descentes de portugueses, judeus de religião e normas culturais, cidadãos como todos os outros do mundo, a língua é um dos elementos de permanência de significados.
Ao transformá-la estamos a perder a forma da sua continuidade.

Cada língua que se simplifica, que se abastarda é um ponto de memória e do significante desta que se altera.

Shalom, hoje e sempre.

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Friday, May 25, 2012
 
http://www.midwayfilm.com/

Ontem fui à Associação Caboverdeana ( obrigado ao pessoal da cozinha e direcção) assistir, não a esse documentário de que se vê o resumo acima, mas a outro que pelo enredo me pareceu muito interessante. Falarei do tema na minha próxima crónica na Radio Montemuro.
A redução da pesca, das capturas (por questões que como disse um jornalista caboverdeano devem ser devidamente investigadas!) e a, também devido a isso, alteração da lógica de sobrevivência e a redução das areias retiradas dos fundos marinhos (para a construção, que tem que ser abordada no doc!), a lógica de delapidação dos recursos e as pessoas nessa, são os temas do guião.
Esse, o enredo inspirou-me mais que as sequências que vimos, é certo que desenquadradas e mal estruturadas, ainda em rascunho.
Pareceu-me também que o realizador era muito tipo "eu é que sei" e arrogante e que assim não o vai levar a bom porto o compromisso. Veremos....

Como de costume aparecem uns personagens nestes  debates, além do referido jornalista caboverdeano que colocou questões importantes e sérias (que foram remetidas para o caixote pelo referido realizador) interveiu um vendedor de cd.s que fez uma intervenção desconexa, o habitual,
e um conhecido aldrabão que se identificou como sendo de um tal SOS e que disse uns disparates sobre os afundamentos de resíduos radioactivos (que nunca foram feitos nem nas costas da Somália nem nas do Senegal e não são feitos desde 1985!) e  relacionou os piratas da Somália (que deve conhecer bem, como ele seguidores do Bin Laden) com a retirada de areias da zona ribeirinha da Ribeira da Barca.


 Um autêntico papagaio,

ainda impediu que as duas notas que fiz fossem estruturadas, porque me interrompeu (julgo que era ele a dar vivas ao Bin Laden, numa sessão do Bloco da Esquerda, também a interromper o Fernando Rosas que o criticava!).

Referi, e desde logo me congratulo que em resposta me tenha sido comunicado que a LPN, a Quercus, o GEOTA e outras onga.s estão organizadas, também, com este grupo: pong.pesca@gmail.com,
e quando referi que a União Europeia tem a melhor e mais estruturada, (a única que tem preocupações com os stocks e a conservação, certo insuficiente) política, poder de ou supra estatal, política de pescas, agora em revisão por isso a utilidade destes forúms, esse energumeno, acima referido, não me deixou sequer continuar.
Sem conhecer a lei e o direito  ( e os acordos bi-laterais de países da União, infelizmente como em tantas outras áreas, não respeitam os textos enquadradores) e a mandar bocas para o ar certamente não se vai longe. Papagaios há muitos.
Infelizmente a democracia tem que, no limite, conviver com estes facínoras.
Em contactos com velhos amigos tive oportunidade de estabelecer entendimentos que julgo podem andar mais que somalices.

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civetta.buho@gmail.com

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